Quem diria que além de “ter uma mão de ferro”, Margareth Tatcher também teria um dedo nos conceitos da cibercultura? Pois tem. Foi por causa de sua política dura e austera que grupos de jovens ingleses se rebelaram contra o sistema vigente, inclusive o da música: o rock clássico dos Rolling Stones e dos Beatles. Com as bandas punk como Sex Pistols, Stormtrooper e The Clash também surgiu o conceito ciberculterês do “do it yourself” – ou faça você mesmo.
E é esse mesmo conceito que hoje está guiando nossa relação com a Internet. Primeiro éramos meros espectadores do mundo, das notícias, das empresas. Hoje podemos participar ativamente de tudo o que acontece ao nosso redor. Mais que isso: hoje podemos produzir e divulgar por nós mesmos.
Os blogs – páginas que são atualizadas freqüentemente por alguém – deixaram de ser apenas diários dos jovens antenados na era cibernética e passaram a ser fontes de informação de todo tipo. Hoje, muitos dos furos jornalísticos pertencem a um blog e não mais a um jornal.
No Brasil tivemos, há pouco tempo, um exemplo da utilidade social e do alcance de um blog: o vizinho do ex-deputado Roberto Jefferson. No olho de um furacão, Jefferson passou a evitar a imprensa, mas o que ele não imaginou é que teria um vizinho enxerido e fofoqueiro (no bom sentido, claro). Primeiro e único blog no Brasil a ser cadastrado como imprensa oficial no Congresso Nacional, foi indicado em 2005 como um dos melhores blogs jornalísticos em língua portuguesa do mundo pela agência de notícias alemã Deutsch Welle. Dois anos depois, o VJ já ultrapassou um milhão de acessos.
Brasília também é assunto no blog Catarro Verde (é esse mesmo o nome). Tiranossauro das páginas pessoais, o Catarro ganhou fama ao divulgar o plágio de um discurso dos anos 1950 por Antônio Carlos Magalhães. Aliás, esse é um caso simbólico de como a internet afetou os meios de comunicação: o plágio foi uma descoberta de um jornal da periferia de São Paulo, mas só virou assunto nacional e internacional quando Sérgio Faria, dono do Catarro, publicou a história em seu blog e colocou o link para um áudio comprovando o plágio.
Da mesma forma que os blogs, os flogs e vlogs – o primeiro uma página de imagens e fotos, o segundo de vídeos – conquistaram a rede. Hoje é possível fazer qualquer um dos dois “logs” com uma câmera fotográfica digital que filma – ou vice-versa -, senso estético e boas idéias. Apesar de muitos dos flogs/vlogs terem imagens sofríveis, bisbilhotando a gente encontra páginas simpáticas como esta, que mostra tudo relacionado ao ato de tomar café. Ou imagens mais fortes como as registradas pelo angolano José da Silva Pinto, que fotografa, por paixão, o cotidiano do país africano Luanda. Vale a pena transcrever o início de como ele se apresenta:
José da Silva Pinto (se quiserem,o Tonspi, para quem gosta muito de mim) é o meu nome… Fui parido no Lobito, cidade do Sul de Angola a 7 de Julho do ano da graça de 1959, comecei a andar muito tarde por preguiça e porque tb era muito gordo, a falar demasiado cedo porque segundo a minha mãe era e sou de temperamento irrequieto, e um bom conversador…
Um exemplo bem-sucedido de videoblog é o da atriz Amanda Congdon. Ela produz um noticiário em seu quarto usando um notebook e uma filmadora. Com audiência diária de 30 mil visitantes, seu videoblog é um dos mais acessados da rede mundial. O Youtube, site de vídeos, foi “uma mão na roda” para proliferar os vlogs. Em 2006, lonelygirl15, o vídeo-diário de uma adolescente tornou-se famoso na rede. Mais tarde descobriu-se que não passava de uma criação de produtores independentes, porém o sucesso é indiscutível.
Por último, mas não menos revolucionário ou integrante da onda “do it yourself” estão os podcasts. A denominação podcast deriva de audioblog, ou seja, blogs de áudio. Mas isso em 2004. No ano seguinte a fusão de IPod e brodcast resultou nos atuais podcasts: vídeos e áudios gravados por pessoas comuns até grandes empresas e colocados à disposição na rede para todos poderem ouvir ou assistir. Se até agora pareceu que somente anônimos (organizações ou pessoas) ou tradicionalmente ligados à rede usam os recursos da Internet, está na hora de bisbilhotar no mundo da fama e do sucesso.
A Magnum Photos, agência-cooperativa de fotografia, foi criada em 1947, pelo fotógrafo francês Cartier Bresson em parceria com outros profissionais. Cinquenta e quatro anos depois, a Magnum é uma instituição com escritórios espalhados por todo o mundo. Tem hoje 60 associados. e milhões de imagens em arquivo, em preto e branco e a cores, datadas desde os anos 30. No seu site, além de todas essas informações, podemos encontrar podcasts feitos por alguns de seus associados.